São João de Brito

São João de Brito é o patrono da nossa comunidade (OSN565).

João de Brito era filho de Salvador de Brito Pereira, de Vila Viçosa, trincheiro-mor do senhor D. João IV, e de Dona Brites de Portalegre, e nasceu em Lisboa, na calçada de S. André (Costa do Castelo), no dia 1 de Março de 1647. De ascendência fidalga, o destino natural de João de Brito era ser pagem na Corte.

No rescaldo da restauração da Independência (1640), o país vivia ainda uma prolongada guerra com Espanha.

João de Brito já entrado na adolescência, foi vítima de uma doença grave, o que levou a que a mãe prometesse que se tornaria jesuíta se fosse curado.

Assim, no ano em que subiu ao trono D. Afonso VI, 1662, a 17 de Dezembro, João de Deus entra no noviciado da Companhia de Jesus em Lisboa. Após concluir os seus estudos em Évora e Coimbra e ter dado aulas em Lisboa, pede, em 1668, ao Superior Geral da ordem que o deixe ser missionário.

Ordenado sacerdote em 1673, recebe com alegria o mandato de partir as missões da Índia. Parte a 25 de Março desse anonuma expedição em que vão 27 jesuítas (16 portugueses, 1 romeno, 1 italiano, 1 siciliano, 1 de Trento, 1 saboiano, 1 inglês, 2 belgas e 1 bávaro). Uns irão fazer missão na China, outros como João de Deus farão missão na Índia.

No ano de 1674, desembarca em Goa, a grande capital do Oriente. Visita ao túmulo de S. Francisco Xavier, o missionário do Oriente, fundador da Companhia de Jesus, que a Igreja considera que tenha convertido mais pessoas ao Cristianismo do que qualquer outro missionário desde São Paulo.

Em Abril de 1674, entra na missão do Maduré  e abraça a vida austera e penitente dos pandarás-suamis, a fim de evitar a repugnância dos indianos cultos pelos missionários associados à conversão dos párias, a casta mais desprezada da Índia que tornava imundos os que com eles contactavam. A sua figura é emblemática do novo método de evangelização seguido na Índia pelos missionários. Na mão segura uma cana de bambú, veste roupão cor de almagre, calça palmilhas de madeira.

Em doze anos de apostolado, atravessou a India a pé em espírito de missão quer pelo interior quer pelo litoral  e esteve muitas vezes a ponto de perder a vida.

Em 1685, seria nomeado superior da missão de Maduré. Esperam-no tribulações e sacrifícios. No território de Muravá, é sujeito ao suplicio da água e açoites e é interditado de pregar no território.

Em 1686 desencadeou-se violenta perseguição no Maravá durante a qual, devido ao seu apoio os cristãos, foi preso, sujeito a enormes torturas e o condenado à morte. Felizmente, era necessária uma confirmação da sentença pelo rei que, depois de o sujeitar a interrogatório sobre a doutrina que pregava, lhe devolveu a liberdade, impondo-lhe que não voltasse a entrar no Maravá.

Partiu para o Malabar, tendo sido enviado como procurador à Europa, a fim de informar Lisboa e Roma do que se passava nas missões . Chegou a Lisboa a 8 de Setembro de 1687. Por motivos políticos, o rei D. Pedro II não autorizou a viagem a Roma. João de Brito percorre então as principais casas dos jesuítas em Portugal procurando reunir apoios para a missão no Oriente.

Ultrapassando todos os obstáculos volta a partir para a Índia a 8 de Abril de 1690 com 25 novos missionários, sendo 14 portugueses e chega a Goa a 2 de Novembro do mesmo ano. Trabalha cerca de ano e meio no Maravá e converte oito mil pessoas ao catolicismo, entre os quais um príncipe da casa real.

Cresce a fama do Apóstolo do Malabar, o que faz temer os poderosos senhores locais. Cometeu o erro de voltar a Maravá, tendo sido condenado à morte por desobediência à ordem do rei.

A execução dá-se em Fevereiro de 1693, no alto do monte sobranceiro ao rio Pamparru, à vista de Urgur. O local do martírio começou logo a ser venerado pelos cristãos. Os cristãos puderam ainda recolher algumas relíquias que foram trazidas para Lisboa e oferecidas a D. Pedro II, que as confiou à guarda da Companhia de Jesus, no Colégio de Santo Antão.

Séculos mais tarde coube ao Papa Pio XII canonizar o santo missionário português a 22 de Junho de 1947. Na audiência concedida, no dia seguinte, à peregrinação portuguesa que assistiu à canonização, Pio XII evocou as legiões de missionários portugueses.